E Deus criou a mulher

G. Courbet, La Source, 1868, Musée d`Orsay
Quando Eva andava nua pelo paraíso,
disfarçava o tédio à sombra das árvores, colhendo
as flores, cheirando o seu perfume,
e pensando como seria bom ter um céu
para espreitar.
Um dia, uma dessas flores transformou-se em
fruto; e Eva levou-o à boca, trincou-o, provou
a sua polpa. Por um estranho efeito
de causa e consequência, o sabor da maçã
obrigou Eva a cobrir a nudez
com folhas e flores, que passaram
a ser uma metáfora do corpo
que escondem.
Então, o pecado tornou-se uma simples
figura de retórica, e o sexo um exercício
de interpretação.
Nuno Júdice
4 Comments:
e ainda bem que assim foi...
bjx
Uma "pausa" de maçã.
Perfumada de canela. E tu vais, vens, lês, sabes. Pela poesia sóbria, pelas cores ardentes, me é grato (re)encontrar-te. Ficaste-me há que meses, anos, de bandeja e café+água...
Bjinho
... fizeste bem em trazer aqui o Nuno Júdice, pois nota-se que é um tipo imparcial na forma como descreve o princípio da corrida ao pronto a vestir. Fosse um desses comentadores televisivos a mando de interesses comerciais nebulosos, havia de ser bonito...
Beijos e sorrisos.
boa escolha, com para várias interpretações...contestações ou, simplesmente confirmações... passei aqui pela primeira vez e gostei do espaço.
http://palavrasachadas-comsentido.blogspot.com/
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